Uelcimar Cerqueira dos Santos – SENAC-BA

Com o processo de globalização e a necessidade do aumento da renda familiar, a população dos países em desenvolvimento fez proliferar o consumo de alimentos preparados e vendidos em locais públicos. O hábito cultural já era muito popular: tacos al pastor, no México, arepas, na Colômbia; chivito, no Uruguai; churros, na Espanha; barraquinhas de sardinha, em Portugal; chás, na Índia; okonomiyaki (panqueca), no Japão; kimchi (condimento com vegetais assados), na Coreia, crepes, na França; acarajé, cachorro-quente, beiju, churrasquinho, queijo de coalho, tacacá, pastel e frutas, no Brasil. Com a pressão socioeconômica, cresce o número de vendedores ambulantes acentuando o fenômeno, em todas as localidades de norte a sul do país.

O aumento do desemprego fomentou a venda de comida de rua tornando-se para muitos brasileiros a única oportunidade de trabalho, o que explica o elevado contingente de vendedores ambulantes. Para muitos consumidores, a comida de rua se constitui na melhor forma de alimentação fora do lar, principalmente pela praticidade e pelo preço reduzido desses alimentos. O sucesso do comércio ambulante está diretamente ligado à isenção de impostos, à liberdade de escolha dos alimentos a serem comercializados, à flexibilidade no horário de trabalho e ao baixo capital demandado para a implantação da atividade.

O termo ‘comida de rua’ é utilizado para identificar alimentos e bebidas prontos para o consumo, preparados e/ou vendidos nas ruas; em portas de igrejas, escolas, cinemas; em tendas, que se espalham por praias, praças e outros lugares públicos. Sempre muito apreciados por pessoas de todas as classes, o que explica parte do orçamento familiar sendo gasto no consumo de alimentos categorizados como ‘comida de rua’.

Os produtos oferecidos costumam variar nos diferentes países/regiões e culturas e, por isso, destacam-se sob o ponto de vista turístico, pois comumente são considerados emblemáticos e apreciados pelos viajantes.

A história da comida de rua no Brasil tem menção partir de meados do século XVIII, com o crescimento da população e da economia, quando os escravos passaram a ser utilizados nas cidades em funções distintas daquelas a que se haviam dedicado até então. Os escravos de ganho eram empregados ou alugados por seus senhores para produzir, vender ou prestar serviços a terceiros.

Para complementar o orçamento doméstico de seus senhores, escravas – principalmente aquelas que moravam em Salvador e Rio de Janeiro – saíam da cozinha para as ruas, levando comidas feitas em casa. Eram vendedoras ambulantes, que percorriam as cidades com tabuleiros, vendendo beijus, cuscuzes, bolinhos e outras iguarias.

Por tanto, destaque para a mandioca, presente na alimentação de mais de 700 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento, sendo um dos alimentos mais básicos do mundo. A mandioca é uma raiz que possui a terceira maior fonte de carboidratos dentre os alimentos, depois do arroz e milho. E por justificada razão a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) desmistifica a raiz como comida de pobre, dando o status de alimento para combater a fome.

Por justificada razão, o desenvolvimento da observação/contribuição da Bahia para o OPANES será baseado nas comidas de rua à base de mandioca como o beiju molhado e o na chapa; o cuscuz de tapioca em tabuleiro; o bolinho de estudante, a taboca e o pirão de aipim vendido nas festas de rua, com opções de proteína como complemento.

Detalhe de pintura de Eckout, século XVII
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